DNIT registra imagens inéditas de tropeada no Caminho dos Conventos
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Gestão Ambiental das obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC, lança mais um vídeo da série “
Relíquias dos Campos de Cima da Serra”. A produção acompanha a subida simbólica de uma tropa de mulas pelo histórico Caminho dos Conventos, realizada em 19 de março. Prevista no Licenciamento Ambiental Federal, a iniciativa tem como objetivo fortalecer o turismo regional e valorizar o tropeirismo como elemento formador da identidade cultural das comunidades do Sul do Brasil.
A atividade foi organizada pela Associação Cultural dos Bois Carreiros e Tropeiros e marca o registro audiovisual inédito da retomada desse percurso histórico, fechado há mais de 50 anos. Durante a travessia, uma das paradas ocorreu na antiga hospedaria da Nica, ponto tradicional de apoio aos tropeiros. No local, ainda permanecem vestígios como taipas e o curral utilizado para abrigar os animais.
Aberto no século XVIII por determinação da Coroa Portuguesa, o Caminho dos Conventos surgiu como uma alternativa ao Caminho da Praia. Sua missão era conectar o fluxo vindo da Colônia do Sacramento (Uruguai) e do litoral catarinense ao planalto, reduzindo distâncias nas rotas que seguiam até Curitiba e Sorocaba. O trajeto sobe a Serra Geral pelo atual município de Timbé do Sul (SC) até atingir os campos de altitude de São José dos Ausentes (RS), consolidando-se como eixo estratégico de circulação de pessoas, mercadorias e culturas.
Com o declínio do tropeirismo, associado à abertura de estradas e à introdução dos veículos, o uso do caminho foi gradualmente reduzido. Hoje, no entanto, ele ressurge como ativo turístico, sendo reconhecido como uma das trilhas históricas mais preservadas da região. Ao relacionar passado e presente, o vídeo evidencia a continuidade da função integradora das rotas de circulação. Se antes eram as tropas que garantiam a ligação entre o litoral e o planalto, hoje é a BR-285/RS/SC, especialmente no trecho da Serra da Rocinha, que amplia a mobilidade e cria novas possibilidades de desenvolvimento regional.