DNIT aplica método inovador para recuperação de áreas degradadas na BR-285/RS
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) vem aplicando um método inovador no âmbito do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas e Passivos Ambientais (PRAD). A iniciativa ocorre no trecho do empreendimento localizado em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, onde a técnica conhecida como “muvuca de sementes” é utilizada para a recomposição vegetal e o estímulo à regeneração natural em áreas impactadas pelas intervenções de infraestrutura.
Trata-se de uma prática ancestral e indígena, que foi resgatada inicialmente em áreas florestais (Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica) e, mais recentemente, em ambientes abertos, especialmente para recuperar áreas de lavoura e sobrepastoreio. Conforme o biólogo Marcel Tust, “o que tem sido realizado é uma experimentação com adaptações do que está sendo desenvolvido no Pampa, por exemplo, para a realidade da obra”, explica.
A metodologia consiste na distribuição de uma mistura de sementes nativas de diferentes espécies, coletadas em campo e submetidas a processos de seleção e preparo nas bancadas da estufa do horto botânico. Pode ser empregada manualmente, a lanço, ou de forma mecanizada, sendo reconhecida pela eficiência ecológica, viabilidade operacional e potencial redução de custos, complementando técnicas tradicionalmente utilizadas como a hidrossemeadura e o enleivamento.
Desde maio de 2025, lanços de muvuca vêm ocorrendo junto às frentes de obra, utilizando sementes e solos orgânicos provenientes do entorno. Os resultados são monitorados com base no estabelecimento das plântulas, cobertura do solo e dinâmica de espécies espontâneas, permitindo a avaliação em médio e longo prazo. Em recente vistoria ao empreendimento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) destacou que a coleta e a semeadura apresentaram resultados promissores, recomendando a continuidade da prática e a ampliação do número de espécies.
A iniciativa também se insere em um contexto mais amplo de debate sobre restauração ambiental, ao dialogar com os princípios da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030), que busca prevenir, interromper e reverter a degradação dos ecossistemas em escala global, ao empregar técnicas mais adequadas às condições ecológicas locais e aos processos naturais de regeneração.